Inspiração no Encontro das Águas!
Introdução
O texto aborda o convívio intergeracional no ambiente de trabalho, comparando as características das gerações Baby Boomers/X e Y/Z. A metáfora do Encontro das Águas em Manaus serve como inspiração para a integração harmoniosa e produtiva entre as diferentes faixas etárias.
Tem gente que consegue ver apenas conflitos no convívio entre as gerações no ambiente de trabalho. E não é por menos. Ao observar as diferenças de valores e de comportamentos, vemos que há uma distância enorme entre profissionais na linha da aposentadoria, ainda produtivos, daqueles que ingressaram há pouco no mercado de trabalho.
Características das Gerações
Para transcorrermos nesta reflexão, dividirei as gerações em dois grupos: gerações Baby Boomers (60 a 79 anos) e X (de 40 a 59 anos), versus as gerações Y (26 a 39 anos) e Z (15 a 25 anos). Farei uma comparação pelo que vejo no geral. Há excessões, obviamente, em que jovens comportam-se como se usassem “dentaduras”, assim como “maduros” com criatividade e energia de um adolescente. Portanto, não estou generalizando.
O primeiro grupo é caracterizado pelos mais velhos, alguns deles em cargos de liderança. Em geral são disciplinados, conservadores, valorizam o controle, adaptam-se facilmente à hierarquia. São resilientes quando chamados à atenção e dificilmente trocam de emprego. Realizam-se com o acúmulo de patrimônio. Não é raro ouvir um destes orgulhosos de ter uma chácara no interior ou uma casa na praia.
Ao invés disto, temos o segundo grupo, formado pelos mais jovens. Observo que estes valorizam a autonomia no trabalho, são engajados quando entendem o propósito do que fazem, e com ele se identificam. Respondem melhor a uma chamada de atenção quando esta é feita de maneira empática e esclarecedora. Trocam mais facilmente de emprego, são voláteis, e desejam crescer na carreira de maneira meteórica (não sei se a velocidade da Internet, com a qual cresceram, os tornaram imediatistas). No tocante ao ideal de vida, são menos apegados ao patrimônio, porém desejos por novas experiências. Ter um carro deixou de ser um sonho de consumo para este grupo, mas um viagem internacional passou a ser parte dos planos da maioria.
Desafios do Convívio Intergeracional
Diante deste dois mundos, vejo que as diferenças mais significativas, ou que trazem maior impacto é o paradoxo entre o controle vs a autonomia. Os mais velhos, sobretudo os que ocupam a liderança, têm a necessidade de controlar a atividade do time. Para estes a frase “os olhos do dono é que engorda o boi” faz todo o sentido. São condicionados a controlar os detalhes do negócio, começando pela atividade presencial.
Por outro lado, os mais jovens buscam a autonomia. Gostam de serem ouvidos e saber que suas ideias contribuem para as atividades. Preferem realizar a tarefa dentro de seu tempo, valorizam o trabalho remoto. Sabem lidar menos com as pressões.
Outro aspecto é a resiliência vs a volatilidade. A paciência e constância dos mais velhos os ajudam a desenvolverem ciclos de crescimento bem consistentes. Nos mais jovens percebo que há uma intolerância maior à possíveis obstáculos, que resulta nas trocas frequentes de empresa. Pesa o fato de não desenvolverem ciclos completos de aprendizados e realizações, comprometendo seus desenvolvimentos futuros.
O grande desafio é como fazer com que ambos convivam de forma harmônica e produtiva. Acredito que ambos tem suas fortalezas. A constância, resiliência e disciplina dos mais velhos devem ser bem observada pelo jovens. Vejo que é o melhor caminho para um desenvolvimento sustentável de uma carreira profissional. Já a autonomia e busca por exercer atividades mais prazeirosas, e que façam sentido aos valores de cada um é um grande avanço capitaneado pela geração que está ingressando no mercado.
Inspiração no Encontro das Águas
Em Manaus é possível observar um fenômeno chamado Encontro das Águas. Neste o Rio Negro e o Solimões correm lado a lado, sem se misturarem, por uma extensão de 6 km. Isto se deve às propriedades de temperatura, densidade e velocidades das águas de cada um. Aos poucos as águas se mesclam e formam o maior Rio do mundo em volumes de águas.
Este fenômeno da natureza deve ser uma inspiração para o convício entre as gerações, pelas quais, juntas, podem gerar resultados de perder de vistas.
Conclusão
O convívio intergeracional no trabalho, com suas diferenças de valores e comportamentos, pode ser um desafio, mas também uma oportunidade para o crescimento e a inovação. As diferentes gerações se complementam com suas habilidades e perspectivas únicas, e a chave para o sucesso está na criação de um ambiente inclusivo que valoriza a diversidade.
Assim como as águas do Rio Negro e do Solimões se misturam gradualmente para formar o maior rio do mundo em volume de água, as diferentes gerações podem se integrar e colaborar para alcançar resultados extraordinários. Através do diálogo, da compreensão e do respeito mútuo, podemos construir um ambiente de trabalho mais produtivo, criativo e resiliente.
