Egocentrismo e Seu Efeito Nocivo nos Negócios
O egocentrismo, palavra originária do Latim na qual “ego” significa “eu” e “centro” indica o ponto de referência ou foco, descreve exatamente a inclinação humana de querer colocar-se em destaque, fazendo prevalecer sua vontade e opiniões em detrimento das dos outros.
Em linhas gerais ela resulta em uma visão excessivamente centrada em si mesmo, com falta de empatia e consideração pelos demais ao seu redor.
Este conceito foi introduzido na psicologia pelo suíço Jean Piaget, que observou no desenvolvimento cognitivo infantil a dificuldade que as crianças têm em compreender que outras pessoas têm perspectivas diferentes das suas.
Para efeitos práticos, uma atitude egocêntrica faz com que a forma de pensar de alguém se imponha frente aos demais, os quais se anulam, tornando suas participações menos relevantes. Imagine o que ocorre quando dois ou mais egocêntricos convivem no mesmo espaço… dois bicudos não se bicam!
Portanto, o ego é uma inclinação humana presente nas pessoas em maior ou menor grau. Há aqueles que buscam diminuir seus efeitos, enquanto outros não apenas “deixam solto”, mas os reforçam no convívio diário com a família, colegas de trabalho e demais relações sociais. Ele afeta negativamente os relacionamentos em todas as esferas da vida, pessoais e profissionais.
Quão difícil é conviver com alguém que só olha para o próprio umbigo, não ouve o que os outros têm a dizer e se sente o dono da verdade!
No ambiente corporativo, os efeitos são mais deletérios do que pode parecer. Está claro para todos que as empresas são feitas por pessoas, e que seu poder de ação e desempenho depende da capacidade e energia despendida por cada um que as compõe, independentemente do cargo que ocupam.
Quando a atitude egocêntrica aparece, geralmente naqueles que exercem liderança (ou melhor, chefia, pois creio que o verdadeiro líder sabe muito bem lidar com seu ego), as seguintes situações são esperadas:
- Demonstram que suas opiniões são as mais relevantes.
- Não dão espaço para que outros se manifestem sobre o assunto.
- Quando conseguem, ignoram o que os outros dizem.
- Não dão o braço a torcer frente ao erro.
- Pior ainda, quando um erro é evidente, buscam culpar qualquer um, menos a si mesmos.
- Agem com destempero e cultivam um ambiente de insegurança.
- É pouco ou quer mais?!!!!!….
Pelo descrito acima, não é necessário ser um Peter Drucker para entender que os negócios são profundamente afetados quando há uma predominância de atitudes egocêntricas em uma organização.
O ego é para uma empresa assim como um vírus mortal é para um ser humano. Por mais forte ou preparada que esteja, ele irá derrubá-la e, se não se cuidar, pode levá-la à morte.
Em uma das minhas postagens anteriores, “Deixe seu ego na porta”, trago uma ilustração real e muito interessante de como artistas de renome souberam trabalhar esse sentimento. Durante as gravações do sucesso “We Are the World”, várias estrelas precisaram entender que não poderiam sobressair às demais, o que comprometeria o sucesso daquele projeto.
Portanto, reconhecer e se esforçar para baixar o ego, ou melhor, deixá-lo guardadinho no cofre de casa, é um importante fator para permitir que as empresas consigam obter o melhor de suas equipes e desempenhar um papel mais relevante em seus mercados.
