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O Super Chefe!

É indiscutível o papel da liderança em organizações de qualquer natureza. O líder deve instruir, encorajar, corrigir, desafiar e acompanhar o desempenho de seu time constantemente. Existem diferentes estilos de liderança, mas todos devem conter os elementos básicos descritos acima.

Dentre os diversos estilos de liderança, há aquele em que o líder centraliza em si as principais, quando não todas, as decisões de sua área. Quem segue esta linha tem dificuldades em delegar, ensinar e desenvolver as habilidades dos outros. Preferem eles mesmos tomar as decisões e julgam ser os mais capazes de realizar um bom trabalho.

Há liderados que se adaptam a este estilo de gestão. Assumem o papel de “pau mandado” e desempenham estritamente o que lhes é pedido. De certa forma, é até cômodo, pois não assumem os riscos e responsabilidades, afinal, foi o chefe que mandou fazer assim!

Particularmente, eu detesto este perfil de liderança. Ele limita o crescimento da área ou empresa, de acordo com a capacidade de seu “Super Chefe”. Afasta talentos que buscam um ambiente de desenvolvimento profissional e crescimento. Pior ainda, faz uma lavagem cerebral nos seus subordinados, os quais apresentam enormes dificuldades em se adaptarem a um cenário colaborativo e desafiador.

Certa vez, assumi uma empresa cuja cultura era de uma liderança centralizadora. Por mais que, de início, eu tenha conversado e demonstrado o que esperava de cada um, era incrível: todos os problemas da empresa caíam na minha mesa, como se fosse um ralo.

O fornecedor atrasou a entrega, corre para a mesa do chefe. O cliente atrasou o pagamento, corre para a mesa do chefe. Precisa trocar uma tomada, corre para a mesa do chefe. O cliente pediu uma pequena alteração na proposta, corre para a mesa do chefe. Os colegas se estranharam, corre para a mesa do chefe. Faltou água no bebedouro, corre para a mesa do chefe. Precisou comprar o cartucho da impressora, corre para a mesa do chefe… dá para sentir o drama!

Mudar aquele cenário não foi nada fácil. Ao longo do tempo, alguns se adaptaram, às duras penas, e outros precisaram ser trocados. Uma vez ajustado, a nova cultura colaborativa e de responsabilidades compartilhadas fez com que a empresa alçasse e alcançasse o voo de cruzeiro esperado.

O apagão de profissionais que vivemos, onde grande parte da mão-de-obra tem baixa qualificação, pode ser uma desculpa para uma liderança centralizadora nos tempos de hoje. De fato, uma desculpa, pois mesmo quem necessita se desenvolver, com uma boa condução, será capaz de gradativamente buscar um desempenho adequado no trabalho.

Tudo depende do chefe. Não para cercear a capacidade de desenvolvimento de seus liderados, mas de ser capaz de agir como um líder de fato: instruir, motivar, inspirar, desafiar, delegar, celebrar as conquistas e, enfim, se orgulhar de ter um time cujo sucesso contou com sua contribuição direta. Este sim, eu considero um Super Chefe!

E você, o que pensa a respeito? Sei que não comentará aqui se seu chefe for centralizador. Mas se ele for um líder inspirador que desenvolve os talentos de sua equipe, será mais do que justo reconhecê-lo, aproveite a oportunidade. Se você se considera um líder agregador, compartilhe sua experiência aqui nos comentários.

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